Depois de ler "The future of Faith", de Harvey Cox, consegui sistematizar melhor uma inquietação que abrigo no coração acerca de minha devoção pessoal e minha missão pastoral.
A espiritualidade relevante para os tempos atuais tende a ser:
1. Menos doutrinária e mais experiencial.
As pessoas estão cansadas da "defesa da fé." Elas tem fome de experiência de fé; de encontro com o sagrado; de mergulhar no mistério. Uma vez que o sagrado e o mistério só se mostram através dos símbolos, a igreja precisa resgatá-los em sua liturgia e prática.
Como isso poderá ser feito. Não sei, confesso. Símbolos não são produzidos por vontade consciente. Eles vem a nós e nós os recebemos, ou não. Eles são autônomos, "numinosos." Defendo para isso, uma cultura eclesial de batismo e uma reformulação do ritual da Ceia do Senhor... Para começar.
2. Menos conceitual e mais atitudinal.
Hoje é muito mais clara a necessidade de viver de acordo com a expressão de Jesus: "Pelos frutos os conhecereis...Para que vejam as boas obras de vocês"; que tem eco em Tiago: "Que adianta alguém dizer que tem fé se não tem obras?"
Não seria o caso, da igreja repensar Lutero a partir do princípio protestante que ele mesmo inaugurou. Para mim, a Reforma não é um evento acabado, mas continuamente aberto...
3. Menos bairrista e mais dialógica.
Já passou o tempo dos coronéis e seus currais da verdade. A Verdade não é patrimônio de um grupo, é um Caminho para caminhantes sem território para defender ou ídolos para legitimá-lo.
Cristo é o caminho, e foi ele quem disse aos que se achavam donos da verdade: "Publicanos e prostitutas entrarão primeiro que vocês no reino de Deus."
É preciso estar aberto ao diálogo com o outro que pensa e age diferente. Acolher, conversar e debater, sem bater nem abater, é fundamental. Mesmo que decidamos não caminhar na mesma trilha...
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