Didaquê é o nome de um pequeno manual produzido pela igreja, composto entre o final do primeiro século , e o início do segundo século.
Era o equivalente a nosso atual "Regimento Interno" e tinha 3 partes: Licões cristãs, rituais (batismo e Ceia, por exemplo) e a disciplina organizacional da igreja.
Sobre a controvérsia do batismo, ou seja, se o certo é batizar por imersão, ou por aspersão, no capítulo sete está escrito:
"No que concerne ao batismo, batizem desse modo: Batizem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva [àgua corrente: rio*]. Mas se não tiver água viva, batizem em outra água; e se não puder ser em água fria, que seja em água morna. Mas,, se não tiverem nenhuma dessas águas, derramem água, três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."
Eu ainda era pastor da Emanuel quando batizei um irmão que estava no hospital. Ele não podia andar e dava sinais de que não sairia vivo daquele leito. Sua filha me confidenciou que o maior desejo dele era não morrer sem ser batizado.
Decidi batizá-lo ali mesmo. Reuni a família ao redor da cama, pedi uma bacia com água e o batizei por aspersão.
Dois dias depois, ele faleceu.
Escrevi sobre a experiência, e o texto foi publicado em O Jornal Batista. Voces já podem imaginar que sofri retaliação! Doeu, mas serviu para cimentar, de vez, minha convicção de ter feito a coisa certa.
Depois de ler a Didaquê, fiquei contente, ao constatar, que a igreja herdeira imediata da tradição apóstólica teria me dado apoio.
*Grifo meu