Não quero pensar, inicialmente, em categorias demoníacas no sentido cósmico-sobrenatural, mas em categorias demonizadas de pensamento e comportamento.
Nesse sentido, todos nós carregamos espíritos imundos. É Claro, uns são mais imundos do que outros. Nossa mente, por exemplo, onde quase tudo começa, pode se transformar em casa de aluguel onde inquilinos do inferno se alojam e aleijam o poder de caminhada do hospedeiro.
Tenho visto isto todos os dias no aconselhamento, nas ruas, nas igrejas, nas empresas, enfim, na vida. Já vi tanto que cheguei à seguinte conclusão: a qualidade de nossa vida emocional e relacional é proporcional ao tipo de inquilino que permitimos entrar e morar em nossa mente.
Entrar e morar são duas fases distintas que se complementam, mas representam estágios diferentes do processo. Nenhum de nós tem o poder de evitar a entrada de espíritos imundos na mente. O fluxo mental não obedece ao patrulhamento da razão. Tem vida própria. Parafraseando Blaise Pascal: a mente tem razões que a própria razão desconhece. Mas, qualquer um de nós pode desenvolver a habilidade de não permitir que visitantes imundos, transformem-se em moradores permanentes. Como assim?
Quando Jesus diz que devemos vigiar e orar, está nos ensinando o que somente agora, digo, nas últimas décadas, os psicólogos cognitivo-comportamentais ensinam seus clientes a praticar: identificar e substituir os pensamentos destrutivos, colocando em seu lugar pensamentos construtivos.
Nem sei se imaginam que o apóstolo Paulo também foi precursor das ideias que eles agora defendem: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” Filipenses 4:8
Como já afirmei, todos carregamos na mente, em maior ou menor grau, alguns espíritos imundos que nos fazem adoecer das emoções e das relações.
Só como muito custo e algumas atitudes, esses espíritos são banidos ou dominados. Mas, sua tendência natural é procurar o caminho de volta. Certos padrões de pensamento criam registros mentais e ativações neuronais que não se apagam facilmente. Dai a tendência de "cair" novamente nas redes do desvio supostamente superado.
Um exemplo, entre muitos, é o sujeito que se viciou em pornografia, jogo, ou qualquer outro vício. Seu cérebro registrou um padrão de prazer e sua mente tende a buscar repetir a experiência, principalmente, em momentos de tédio e estresse, como forma de superação, ainda que temporária, da frustração.
Depois do último episódio, ele ou ela promete a si mesmo e a Deus que nunca mais aquilo vai acontecer. Uma semana depois - às vezes menos; às vezes, mais - tudo se repete e o ciclo recomeça. Assim, cada repetição fortalece o padrão na mente, acentua o registro no cérebro e cristaliza o vício. O espírito imundo, cada vez que sai e volta, traz consigo uma cambada, ao ponto de algumas dessas "gangs" só saem com Jejum e oração.
Triste da mente que é dominada por pensamentos, emoções e sentimentos demonizados. O comportamento segue o mesmo padrão, pois, como ensinou Jesus: "A boca fala daquilo que o coração está cheio." Por isso, só a mente que cultiva pensamentos que levam a marca de Cristo, é capaz de manter os espíritos imundos da porta pra fora ou, pelo menos, dominados no porão.
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